Docente da UBI desenvolve técnica inovadora para cirurgia da catarata

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Docente da UBI desenvolve técnica inovadora para cirurgia da catarata

O docente e investigador da Universidade da Beira Interior, Miguel Caixinha, criou um protótipo de um dispositivo médico de apoio à cirurgia da catarata e respetivo diagnóstico, com os riscos para o doente a serem minimizados, num problema de visão que atinge quase metade da população mundial com mais de 65 anos. O desenvolvimento desta técnica inovadora resulta da tese de Doutoramento de Miguel Caixinha, defendida a 17 de março na Universidade de Coimbra, trabalho que obteve aprovação com distinção e louvor por unanimidade, nota máxima atribuída por aquela instituição.

 

Sob o tema “In vivo automatic cataract detection and classification using the ultrasound technique”, Miguel Caixinha, docente do curso de Optometria e Ciências da Visão da UBI defendeu, no passado dia 17 de março na Universidade de Coimbra, a sua tese de Doutoramento em Engenharia Biomédica, da qual resultou a criação do ESUS, um protótipo de apoio à cirurgia da catarata, que lhe valeu a nota máxima.

Para além de conseguir fazer um sistema alternativo de classificação automática e objetiva da catarata, faz um diagnóstico precoce da catarata “quando a primeira agregação proteica está a acontecer”. A inovação do protótipo desenvolvido por Miguel Caixinha reside no facto de “conseguir estimar a energia mínima para a facoemulsificação (cirurgia à catarata), dando a informação exata da dureza que o cristalino e a catarata têm, porque quando o cirurgião vai operar, se tiver essa informação pode minimizar os riscos cirúrgicos, que atualmente ainda são consideráveis”, explica o investigador.

“Atualmente, ainda não se conhece se o cristalino é duro ou não e se a catarata é dura ou não, e quando se injeta energia de ultrassons ou de lazer a mais, por desconhecimento da dureza da catarata, há a ruptura de uma membrana – a cápsula do cristalino – e a córnea sofre danos irreversíveis, que podem levar à cegueira. Com esta técnica, com esta informação nova no plano cirúrgico, os riscos são minimizados. Conseguimos dizer a um cirurgião qual a energia que deve usar para extrair a catarata, sem danificar mais nada”, sublinha Miguel Caixinha.

A catarata ocular carateriza-se pela perda progressiva da transparência do cristalino (lente natural do olho), o que provoca a diminuição da capacidade visual. Podendo afetar um ou ambos os olhos, é frequente desenvolver-se lentamente. Trata-se de um problema de visão que atinge quase metade (cerca de 46 por cento) da população mundial com mais de 65 anos, sendo atualmente a maior causa de cegueira no mundo. Daí que a Organização Mundial de Saúde estime que até 2020, cerca de 40 milhões de pessoas sofram de catarata.

O protótipo – batizado de ESUS – consegue, antes da cirurgia, informar o cirurgião qual o grau de dureza que tem aquilo que vai operar. “No diagnóstico, passamos uma sonda de ultrassons no olho e temos uma classificação automática em tempo real do tipo de catarata, da dureza que tem e da extensão que ocupa. Pode ser tudo visualizado no display do protótipo e os dados todos em tempo real, os quais podem até ser acedidos via wireless ou via internet para qualquer ponto do mundo”, destaca o docente.

Todo o trabalho foi desenvolvido inicialmente em porcos e, posteriormente, em ratos. “Desenvolvi um modelo animal, que permitiu estudar a catarata em diversas fases e quando a primeira agregação proteica está a acontecer. No futuro, se a catarata for detetada nesta fase e se houver alguma intervenção farmacológica, pode ser um dado relevante para o diagnóstico e tratamento das cataratas”, sustenta Miguel Caixinha. O investigador acredita ainda que o estudo em humanos deva arrancar “entre setembro e outubro deste ano”.

Outra das inovações trazidas por este estudo foi o facto de se passar a conseguir, pela primeira vez, determinar as propriedades biomecânicas do cristalino. “No futuro, quando se detetar muito precocemente a catarata, numa fase pré-clínica, vou tentar enviar ondas guiadas de ultrassons, desagregá-la, fazendo a sua dissolução nessa fase e impedindo que ela se forme e progrida”, refere o autor.

O estudo desenvolvido por Miguel Caixinha já despertou o interesse por parte da indústria, tendo sido registada uma patente internacional. “Já há algumas das maiores empresas do mundo desta área interessadas no protótipo e que esse dispositivo médico seja incorporado nos sistemas de facoemulsificação, como apoio à cirurgia. Pode ainda ser usado no processo de diagnóstico e ser utilizado no consultório do optometrista ou do oftalmologista”, assegura o docente e investigador da UBI. “O interesse da indústria trouxe financiamento para o registo da patente e vai apoiar os próximos estudos clínicos, que estão já a ser submetidos ao INFARMED (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) e à Agência Europeia do Medicamento para fazer a certificação CE (Conformite Europenne) do protótipo, para que o estudo clínico seja feito já com todos os componentes do protótipo com marcação CE e os estudos em humanos sejam feitos com essa certificação”, sublinha.

Para o futuro, Miguel Caixinha espera desenvolver “investigação de ponta na UBI, aplicando a Engenharia Biomédica à Optometria e às Ciências da Visão, que é a minha formação de base. Já estou a efetuar diligências para arrancar com essa mesma investigação de ponta”.

Licenciado em Optometria pela UBI, Miguel Caixinha tirou o Mestrado em Ciências da Visão na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e agora o Doutoramento em Engenharia Biomédica, aplicado à área das Ciências da Visão, também na Universidade de Coimbra. A tese “In vivo automatic cataract detection and classificasion using the ultrasound technique” teve como orientadores Jaime Batista dos Santos e António Miguel Morgado, ambos da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Os arguentes foram João Manuel Tavares (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) e João Miguel Sanches (Instituto Superior Técnico, Lisboa). Ana Raquel Santiago (Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra), Mário João Santos (Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra) e José António Paixão (Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra) completaram o júri que aprovou a tese com distinção e louvor por unanimidade, nota máxima atribuída por aquela instituição.

Fonte: Urbi et Orbi • Jornal Online da UBI, da Região e do Resto.

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